Segredo do emagrecimento pode estar na reprogramação da mente

Novos métodos buscam entender os fatores que influenciam a relação com a comida, traçando um plano de emagrecimento mais consistente e profundo

POR AMANDA CRUZ - ATUALIZADO EM 12/05/2017

Se você sofre com o sobrepeso há bastante tempo e vem tentando emagrecer sem sucesso, talvez o segredo esteja dentro da sua cabeça. Pelo menos é nisso que apostam os novos métodos de emagrecimento que, inclusive, estão conquistando as famosas, como a atriz Fernanda Souza, que sempre deixou clara sua luta contra o peso e, hoje, fez as pazes com a balança. Para entender se esse conceito realmente funciona e como deve ser colocado em prática, buscamos a ajuda de profissionais para esclarecer o tema.

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Alimentação X Cérebro

Quando comemos um alimento, nossas papilas gustativas identificam o sabor e enviam a informação de que estamos comendo para regiões específicas do nosso cérebro. A partir disso, conseguimos identificar o gosto da comida. O que acontece é que os alimentos que ingerimos têm o potencial de nos proporcionar sensações. "Existem alimentos que levam a ativação do sistema límbico no cérebro, mesma região responsável pelas emoções e recompensas. Por exemplo, ao comermos doces há uma diminuição momentânea da ansiedade", explica o psicólogo Nicodemos Borges, especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva.

De acordo com Nicodemus, vivemos em uma sociedade que, muitas vezes, tenta jogar para debaixo do tapete alguns sentimentos, por eles não serem aceitos, como ansiedade e tristeza. Só que a partir do momento que ignoramos esses sentimentos, ficamos com questões mal resolvidas e pode acontecer de quando sentirmos essas sensações tentarmos "maquiá-las" com alimentos que proporcionam prazer, como os doces. "Esse efeito, somado ao aprendizado de que ansiedade é ruim, pode levar a pessoa a comer doce toda vez que ficar ansiosa, como uma espécie de fuga do estado emocional", explica o psicólogo Nicodemos Borges, especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva.

E não para por aí. O emocional e o sobrepeso também estão ligados pela liberação acima do normal de determinadas substâncias no corpo, como o cortisol. Este, se estiver desregulado, atua diretamente na diminuição da queima de gordura com o objetivo de proteger o organismo e deixar o corpo preparado para enfrentar qualquer instabilidade, como o estresse, a ansiedade ou situações que não saibamos como lidar.

"Quando há um desequilíbrio, o organismo induz o cérebro a se proteger, diminuindo a taxa metabólica basal, religando os reflexos responsáveis pela preservação e manutenção da vida, dentre eles o sistema de armazenamento de energia de longa duração, mantendo energia apenas para as funções da vida em repouso. Tudo o que você come, o corpo reconhece que pode ser uma 'última refeição' e armazena", conta o nutrólogo José Alves Lara Neto, da Associação Brasileira de Nutrologia.

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O que desencadeia os excessos e a ingestão de alimentos calóricos?

Quando nosso organismo se coloca em estado de alerta por alguma razão, seja ansiedade, tristeza ou estresse, todo carboidrato é transformado em insulina imediatamente, enviando estímulos ao hipotálamo, área que conecta o sistema endócrino ao sistema nervoso, regulando sono, fome e sede, além de emocional e estresse. Este, de acordo com o nutrólogo, envia três sinais para o corpo: "que você deve comer de 30 em 30 minutos, que o organismo deve armazenar a gordura visceral existente e que tudo o que você comer deve ser absorvido imediatamente".

Com o açúcar liberado rapidamente no organismo, as emoções ganham mais estabilidade, trazendo prazer e bem-estar. Porém, essa sensação tende a passar rapidamente e, ao menor sinal do retorno dos problemas, surge mais uma vez a vontade de buscar amparo naquela mesma família de alimentos que trazem retorno rápido, considerados calóricos. Em geral, a compensação na comida surge pela internalização do problema e pela busca do prazer imediato. Lara comenta que cada organismo reage de uma forma à carga de liberação dos estímulos neurais. "Um médico nutrólogo investigará a fundo as causas do sobrepeso, que muitas vezes não estão ligadas exclusivamente à alimentação. Nem todo magro come pouco e nem todo gordo come muito", pontua ele.

Nicodemos também contextualiza que nossos hábitos alimentares sofrem influência, inclusive, da vida que nossos ancestrais tiveram: "Essa tendência a ingerir alimentos calóricos ocorre por conta de nossa história enquanto espécie. Nossos ancestrais não tinham alimentos em abundância e frequentemente passavam muitas horas entre uma refeição e outra. Desta forma, a sensibilidade à ingestão de alimentos calóricos foi filogeneticamente selecionada", conta. Junto a isso, em um cenário mais atual, nosso cérebro foi ensinado que momentos prazerosos são acompanhados de alimentos calóricos. "Acabamos pareando esse tipo de alimento com 'prazer'. Tudo isso nos deixa muito mais inclinados a preferir alimentos calóricos", completa o psicólogo.

Mudar a alimentação não basta, é preciso transformar a forma de pensar

Não é à toa que dizem que a parte mais difícil do processo de emagrecimento não é a perda de peso e, sim, a manutenção da nova silhueta. Isso porque muitas pessoas não conseguem condicionar e adaptar a forma de pensar para o novo estilo de vida. "A mudança como pensamos a alimentação e os alimentos é um caminho possível, se não necessário, para desenvolver hábitos alimentares mais saudáveis. Os regimes momentâneos tendem a ser problemáticos, pois a pessoa se educa a comer de determinada forma apenas por um tempo. Ela não aprendeu que essa nova forma de alimentação deve ser mantida se não quiser voltar a engordar", destaca Nicodemos.

A partir disto, foram criados alguns métodos que estimulam, antes de mais nada, a transformação da mente, tendo o emagrecimento como uma consequência desse caminho. Abaixo, conheça alguns deles:

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Neuro Fit

Esta técnica, adotada pela atriz Fernanda Souza, visa promover o emagrecimento pelos hábitos de pessoas magras, condicionando o corpo e a mente em prol do objetivo final. Criado pela nutricionista Pollyanna Esteves, o método coloca em pauta os motivos que levaram ao ganho de peso e quais são os obstáculos que impedem a pessoa de chegar em sua meta final.

O programa é pago e inclui reuniões baseadas em Programação Neurolinguística, com foco na reprogramação dos padrões do cérebro, repensando a autoimagem e a confiança. Também é realizado exame de bioimpedância, consultas médicas para avaliar algum desequilíbrio bioquímico, avaliação e treino individualizado com personal trainer, teste de intolerância alimentar e mais.

Time Line Therapy

O método consiste em encontrar, por meio de análises, quais são as lembranças que ficaram presas na consciência da pessoa e que, de alguma forma, a estão impedindo de evoluir. A teoria utiliza um conjunto de técnicas que podem ser aplicadas em todos os âmbitos da vida que estejam ganhando limitações, inclusive as transformações alimentares.

Outro ponto da técnica é encaminhar o pensamento para uma perspectiva menos negativa. Eles acreditam que, ao eliminar as emoções que nos deixam desestimulados, é possível melhorar nossa saúde mental e física.

Coaching de emagrecimento

As técnicas de coaching estão fazendo sucesso pelo mundo e chegaram até ao emagrecimento. Muitos institutos pelo Brasil já contam com essa modalidade, que busca jogar luz para as razões que levam pessoas a ganharem peso e terem tanta dificuldade de retomar a forma física que tiveram um dia ou que tanto sonharam em ter.

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O trabalho visa mudar padrões criados e fixados em nossa cabeça, ensinando os alunos a identificarem quais são as pedras em seu próprio caminho. Feito isso, eles recebem orientações sobre como mudar essa forma de pensar, o chamado mindset, que resultou no sobrepeso. Quando as razões que fizeram você ter uma relação ruim com a comida ficam claras, fica mais simples de traçar um plano de mudança consistente.